Após semanas de repercussão negativa, a Netflix recuou na decisão de adotar uma janela de apenas 17 dias nos cinemas para os filmes da Warner e confirmou que as produções permanecerão em cartaz por 45 dias, seguindo o padrão mais aceito pela indústria cinematográfica.
A confirmação veio por meio do co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, durante uma entrevista ao New York Times. O executivo reconheceu a reação apaixonada do público e dos profissionais do setor, que viram a medida como uma ameaça ao futuro das salas de cinema. “As pessoas se manifestam porque amam o cinema e não querem vê-lo desaparecer. Há a percepção de que estamos contribuindo para isso, mas não é verdade”, afirmou Sarandos.
Segundo ele, o novo acordo não enfraquece o modelo tradicional de exibição, mas reforça sua importância econômica. “Quando esse acordo estiver totalmente concluído, teremos um sistema de distribuição cinematográfica extremamente poderoso, capaz de gerar bilhões de dólares em bilheteria. Não temos interesse em colocar isso em risco”, explicou. Sarandos garantiu ainda que a estratégia seguirá padrões já consolidados: “Vamos administrar esse negócio praticamente como ele funciona hoje, com uma janela de exibição de 45 dias”.
O executivo também destacou que a Netflix pretende competir de igual para igual no mercado cinematográfico. “Se vamos atuar no cinema — e vamos — queremos ser competitivos. Queremos vencer no fim de semana de estreia e liderar as bilheterias”, declarou.
Ao ser questionado sobre a polêmica afirmação de que o modelo atual de distribuição seria ultrapassado, Sarandos fez questão de contextualizar. “Eu disse ‘ultrapassado para alguns’, não para todos”, ressaltou. Ele citou como exemplo cidades que não possuem salas de cinema, onde o acesso ao modelo tradicional é limitado. “Essas pessoas não vão se deslocar até outra cidade apenas para assistir a um filme.”
Por outro lado, Sarandos reconheceu que, em grandes centros urbanos, o cinema segue mais vivo do que nunca. “Minha filha mora em Manhattan e pode ir a pé a seis complexos de cinema diferentes. Ela frequenta o cinema duas vezes por semana. Para ela, esse modelo está longe de ser ultrapassado”, concluiu.
A revisão da estratégia indica uma tentativa da Netflix de equilibrar a expansão do streaming com a valorização da experiência cinematográfica nas telonas.
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