Sexta-feira, 5 de dezembro, começou com um anúncio que sacudiu o setor do entretenimento: a Warner Bros. Discovery não apenas encontrou um comprador, como finalmente teve sua venda confirmada. A movimentação encerra semanas de especulações desde que o a Warner Bros. Discovery foi colocado no mercado em novembro de 2025, atraindo olhares atentos de gigantes como Netflix e Paramount. E, no desfecho que poucos acreditavam ser possível, quem assumiu a companhia foi a Netflix.
Segundo comunicado divulgado nesta manhã, a Netflix fechou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery em uma das operações mais volumosas já registradas na indústria global. A transação envolve uma combinação de ações e recursos financeiros, avaliando cada ação da WBD em US$ 27,75 e elevando o valor total do negócio a quase US$ 83 bilhões dos quais US$ 72 bilhões correspondem ao valor de mercado destinado aos acionistas. A plataforma afirma que, ao unir forças com a Warner, pretende moldar “o próximo século do entretenimento”.
Pelas condições do acordo, os acionistas da WBD deverão receber US$ 23,25 em dinheiro somados a US$ 4,50 em ações da própria Netflix por cada ação da Warner com um mecanismo de ajuste que pode alterar a proporção de ações de acordo com o preço da Netflix até o fechamento da operação.
Mas esse encerramento ainda não é imediato. A compra só poderá ser concluída após a separação da divisão Global Networks da WBD responsável por canais como CNN, TNT e Discovery que será transformada em uma nova companhia chamada Discovery Global. Essa cisão está prevista para ocorrer no terceiro trimestre de 2026.
Enquanto investidores observam os próximos passos, outro cenário se desenrola nos bastidores e com um tom crescente de tensão.
Diversos veículos especializados relatam que a compra não foi recebida com entusiasmo por todos. Segundo a Variety, nomes influentes de Hollywood têm procurado o congresso dos Estados Unidos para tentar barrar o acordo. Uma carta enviada discretamente a parlamentares de ambos os partidos veio assinada apenas por um coletivo autodenominado “produtores de filmes preocupados”. Eles afirmam que mantiveram o anonimato não por medo de se posicionar, mas por receio de retaliações devido ao poder que a Netflix exerce como compradora e distribuidora. A Netflix e a Warner não comentaram.
Fontes da indústria afirmam que o grupo inclui cineastas de alto prestígio. A mensagem enviada ao congresso expressa três grandes apreensões a principal delas, o temor de que a Netflix possa “destruir” o mercado tradicional de exibição cinematográfica, reduzindo ou eliminando as janelas de cinema dos filmes da Warner em favor de um lançamento acelerado em uma plataforma conjunta Netflix + HBO Max.
No ar, permanece a pergunta que paira desde a madrugada: esta fusão monumental seguirá em frente sem obstáculos, ou a pressão de Hollywood e Washington poderá alterar o rumo de um dos acordos mais impactantes da década?
