O lançamento de Viúva Negra (2021) pela Disney no streaming, através do Premier Access, em um intervalo curto após a estreia (e sem a exclusividade total nos cinemas) acabou gerando um efeito direto: parte do público migrou para o conforto de casa, o que, na prática, reduziu o potencial de bilheteria do filme nas salas de cinema. Em um mercado onde a arrecadação é crucial não só para medir o sucesso, mas também para definir bônus e participações contratuais, a decisão foi vista como um movimento que “mudou as regras do jogo” com o jogo já em andamento.
Foi exatamente aí que a situação com Scarlett Johansson explodiu. Segundo a atriz, seu contrato com a Disney previa que o filme teria lançamento exclusivo nos cinemas, e a estratégia híbrida do estúdio teria violado cláusulas do acordo, impactando diretamente sua remuneração atrelada ao desempenho em bilheteria. O resultado foi uma batalha judicial intensa, com troca de acusações e um debate bem maior do que apenas um filme: tratava-se de como Hollywood estava — e ainda está — lidando com a transição do modelo tradicional de cinema para a lógica do streaming, onde números e métricas muitas vezes são menos transparentes.
Apesar de a disputa já ter sido resolvida, Johansson revelou, em entrevista ao The Telegraph, que o processo foi especialmente desgastante por um motivo: a falta de apoio público de colegas da indústria. Para ela, não era só uma questão pessoal, mas um tema que impacta todo o setor, especialmente em um período em que as regras ficaram “nebulosas” e sem diretrizes claras. Como a própria atriz desabafou:
“Teria sido ótimo ter mais apoio da comunidade e dos meus colegas — de forma vocal e pública. Isso afeta todo o setor em certas questões. (…) À medida que passávamos do modelo de bônus de bilheteria para o streaming, tudo se tornou nebuloso, sem diretrizes definidas. (…) Mas, sim, eu gostaria de ter tido mais apoio.”
O episódio se tornou um símbolo dessa virada de era: cinema x streaming, contratos antigos enfrentando modelos novos, e artistas tentando garantir que a mudança tecnológica não signifique, na prática, perda de direitos e de previsibilidade. Mais do que a briga entre uma estrela e um estúdio, a discussão expôs uma tensão que segue atual: quando a distribuição muda, as regras de remuneração também precisam mudar — com clareza, consenso e transparência.
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