“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno”, dirigido por Christophe Gans, prometia ser um retorno à atmosfera perturbadora e sufocante da icônica cidade amaldiçoada. Infelizmente, o resultado é um filme que falha em praticamente todos os níveis, transformando um material rico e psicológico em um espetáculo confuso, desinteressante e, em muitos momentos, risível. O que deveria ser um mergulho no horror psicológico e na culpa de James Sunderland se transforma em uma sequência interminável de cenas desconexas, monstros mal feitos e sustos preguiçosos.
Roteiro e Narrativa – Uma Jornada Sem Rumo
O filme tenta seguir James Sunderland, que retorna a Silent Hill após receber uma carta de sua esposa falecida. Essa premissa tem potencial para explorar culpa, arrependimento e trauma – temas centrais no universo da franquia. No entanto, o roteiro se perde em clichês e diálogos superficiais. A narrativa é errática, alternando entre tentativas de terror psicológico e cenas de ação sem nexo, criando uma sensação de caos em vez de suspense. O desenvolvimento de personagens é praticamente inexistente: James não evolui, seus conflitos internos são tratados de forma rasa e os personagens secundários servem apenas como ferramentas para sustos previsíveis.
A trama parece ter sido escrita às pressas, com buracos de lógica que desafiam até a suspensão da descrença. Momentos importantes de tensão são abruptamente interrompidos, e reviravoltas que deveriam ser chocantes acabam sendo previsíveis e sem impacto. A sensação é que o filme quer contar muitas histórias ao mesmo tempo, mas não consegue contar nenhuma de forma convincente.
Atmosfera e Direção de Arte – Silent Hill Desfigurada
Um dos maiores trunfos do Silent Hill original era a atmosfera opressiva, carregada de simbolismo e horror psicológico. Aqui, Gans tenta replicar isso, mas o resultado é desastroso. A direção de arte é inconsistente: alguns cenários lembram vagamente a estética do jogo, mas outros parecem genéricos, como se o filme estivesse alternando entre diferentes filmes de terror de baixo orçamento. A iluminação é excessivamente escura em algumas cenas e artificialmente brilhante em outras, destruindo qualquer tentativa de criar um clima sufocante.
O uso do CGI é outro ponto negativo. As criaturas, que deveriam ser assustadoras e memoráveis, muitas vezes parecem irreais, mal texturizadas e até caricatas. A icônica Nurses e Pyramid Head são substituídas por monstros confusos, sem contexto ou impacto simbólico. Para um filme que deveria aterrorizar pelo psicológico e pelo design de horror, essa escolha visual é simplesmente inadmissível.
Atuações – Potencial Desperdiçado
Yahya Abdul-Mateen II, no papel de James Sunderland, tenta transmitir a culpa e o desespero do personagem, mas está preso a um roteiro que não permite profundidade. Sua performance é irregular, alternando entre momentos de tensão genuína e cenas de atuação exagerada que parecem deslocadas. Os personagens secundários são ainda mais problemáticos: estereotipados, pouco explorados e, muitas vezes, apenas obstáculos para sustos baratos. A química entre o elenco é praticamente inexistente, o que torna qualquer interação emocional crível impossível.
Horror e Suspense – Uma Experiência Genérica
O que deveria ser o ponto alto do filme – o terror psicológico – é uma decepção total. Em vez de explorar a mente fragmentada de James e a maldição de Silent Hill, o filme se apoia excessivamente em jump scares e efeitos visuais barulhentos. As cenas de suspense, que poderiam criar tensão real, são interrompidas por cortes abruptos e música genérica que mais distraem do que aumentam o medo.
Além disso, a narrativa tenta forçar simbolismo e horror psicológico sem base: monstros aparecem sem explicação, e eventos traumáticos são tratados de forma superficial, reduzindo qualquer impacto emocional. Em muitos momentos, o filme parece mais interessado em chocar visualmente do que em contar uma história coerente.
Trilha Sonora e Edição – Mais Confusão do que Atmosfera
A trilha sonora falha em criar o clima opressor característico da franquia. Os efeitos sonoros genéricos e a música repetitiva acabam cansando o espectador, em vez de imergi-lo na tensão. A edição também é problemática: cortes abruptos, cenas desconexas e ritmo irregular quebram qualquer tentativa de construção de suspense. Há sequências intermináveis de nada acontecendo, intercaladas com picos de ação exagerados, tornando a experiência cansativa e frustrante.
Conclusão – Um Filme Que Desonra Silent Hill
“Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno” é um exemplo de como não adaptar um material de videogame. Um filme que prometia terror psicológico, simbolismo e horror atmosférico entrega um produto confuso, mal executado e sem alma. É difícil recomendar este filme a qualquer fã da franquia ou mesmo a espectadores casuais de terror, pois ele falha em criar medo, tensão ou empatia com seus personagens.
Em resumo, Gans trouxe de volta Silent Hill, mas esqueceu de trazer o que realmente importa: história coerente, personagens envolventes, terror psicológico e respeito ao material original. O que resta é um filme que se arrasta, com monstros mal feitos, sustos previsíveis e uma narrativa que não convence. Uma verdadeira decepção.

Nota: ★☆☆☆☆
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